quarta-feira, 21 de abril de 2010

Meu medo de ser esquizofrênica

Há alguns dias, graças a uma infeliz insônia, assisti a um programa na GNT cujo assunto era a esquizofrenia. A uma certa altura, a psiquiatra apontou como uma das características do esquizofrênico sua indecisão em relação à - salientou a especialista - vida profissional. Aquilo me deu um frio na espinha pavoroso! Afinal, eu tenho 22 anos e não sei para que eu sirvo profissionalmente no mundo.

Meus amigos, de idade próxima à minha, já estão formados ou, no mínimo, em fase de redação de suas monografias. Quase todos gostam do que fazem - é claro, eles se encontraram naqueles nichos. Na pior das hipóteses, um deles continua sem apreciar o curso que faz, mas está resignado e até brinca com a própria desgraça. Ele estuda na mesma universidade e está no mesmo caminho que eu, então ele sabe como podem ser cruéis os professores de lá. Ou melhor, quão fiéis são à imagem do advogado. Eu sei bem! Já tentei três vezes fazer um estágio jurídico, mas me demiti ao final do mês de cada um, simplesmente por não suportar - mesmo, não suporto - o jeitinho dos advogados e também a descrição do seu trabalho. Pensei que seria conveniente tentar a prática do Direito para saber se eu realmente me meti em algo saudável - conveniente foi, sem dúvida, mas eu cheguei à infeliz conclusão de que não, aquilo não era saudável para mim.

Eu sou uma daquelas criaturas que gostam de fazer as coisas acontecerem. No Ensino Médio, eu me lembro de ter criado saraus na minha sala. Aquilo era uma porcaria, é lógico, mas todo mundo se divertia absurdamente preparando as peças horrorosas que eu escrevia (eu tive o impulso risível de transferir para o teatro nada menos que a Tosca e a Turandot - tadinhas!) e ensaiando musiquinhas "góticas-corta-pulso" (a banda favorita era Evanescence). No fim, os meus colegas de sala me pediam para entoar gritos líricos (descobriram de alguma forma que eu estudava canto erudito), mas nunca para me zoarem - algo incrível para adolescentes dos 15 aos 17 anos. Eu ia lá, toda feliz e pimpona, ao Teatro Nacional alugar figurinos para todos e saía de lá, mais feliz e pimpona ainda, com duas malas pesadas, cheias de tranqueiras que usaríamos no dia seguinte. Minha vontade na época, como de todos os anos que eu vivi até então, era ser musicista: deixei o violino e resolvi que seria cantora lírica.

Minha mãe me apoiava, é claro! Era repreendida sempre pelos orientadores pedagógicos da escola, mas foi ela quem conseguiu uma vaga para mim com a melhor professora da Escola de Música, dizendo que eu "queria ser cantora de ópera". Bonitinho, viu? Tudo bem, desisti de Música porque, como todos me alertavam no conservatório, a professora responsável pela técnica vocal na universidade era simplesmente uma tristeza. De fato, ela era. Então, fui fazer Direito. Larguei para ir para o Japão. Não passei na seleção de bolsas - culpa de perguntas como "qual era o nome do monte que Fulano de Tal Chinês subiu na Dinastia Tal para meditar?". Fui fazer um curso mais tranqüilo (Letras) para poder conseguir a equivalência e estudar na Itália. Miou de novo. Fui tentar Relações Internacionais, mas já deu para notar que não existe internacionalista bem sucedido nesta vida. Voltei para o Direito. Agora, finalmente, percebi que sinto muito falta de criar coisas! As porcarias que eu criava antes da faculdade poderiam ser sinais de que eu seria uma ótima profissional nessa área? Provavelmente. Já em Direito, fui fazer um estágio em marketing de incentivo. Amei a experiência e parece que os chefes também gostaram. Na verdade, um deles até me disse que simplesmente não me vê como jurista. Nem eu, mas fazer o quê? A fase de camaradagem da minha mãe já se foi (tudo bem, eu admito a mea culpa)! Quando fui pedir para tentar algo diferente, ela reclamou (com alguma razão, mas...), disse que provavelmente estou sob influência diabólica e quer porque quer que eu tenha um diploma que vai me transformar um nada, além de ter terminado com um ar de "você é mesmo uma esquizofrênica". Medo, gente!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Um grande aniversário

Eu sabia que receberia um carinho especial no meu aniversário: meu namorado me abraçou, me beijou, sorriu pra mim e me deu os parabéns com aquela voz suave dele. Depois, me acordou e fez a mesma coisa - caso eu não lembrasse que completaria mais um ano naquele dia. Sem falar no telefonema da minha mãe e da minha irmã, que me deixou igualmente feliz e satisfeita.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Essa merece ser lembrada

Nunca vou esquecer certo momento, que é um dos mais queridos para mim: eu tinha quatro anos, não entendia nada de dias da semana, horário, meses... Nada. Meu pensamento só se voltava a "o que é isso, por quê e como". Eu sabia que tinha quatro anos porque minha mãe me disse e seria muito bonitinho ser indagada sobre minha idade e responder mostrando os dedos de uma mão.

Uma manhã (estava bem escuro, na verdade), minha mãe abriu a porta do meu quarto com o sorriso lindo que só ela tem e falou: "alguém faz aniversário hoje!" Eu acordei rapidinho - sempre tive o sono leve - e olhei, mas eu só conseguia enxergar o rosto da mamãe com muito esforço, já que a figura dela contrastava com a luz da ante-sala, que separava os cômodos daquela parte da casa. Foi assim que eu vi o sorriso... E um bolo na mão dela, com as velinhas acesas: cinco velinhas. Ela entrou, logo em seguida minha avó. As duas se sentaram na minha cama comigo e me disseram para assoprar as velas. Eu me lembro de ter ficado radiante pela beleza do bolo, pela minha mãe sorrindo, pela minha avó em igual expressão. Eu me senti importante. Afinal, eu completei cinco anos, já era uma mocinha!

A pouco tempo de completar 22 anos, eu não vou ser acordada por ninguém com tamanho sorriso e tamanha satisfação. Nesta idade, eu penso em como fui horrenda na adolescência para minha mãe, sempre rebelde, sempre do contra. Eu era um nojo! Mesmo assim, minha mãe sempre me amou, não importava a forma como eu agia. Eu já a desapontei muitas vezes em pouquíssimo tempo de vida... E é assim: moro em São Paulo agora, com toda a vida pela frente (e ela também, é claro), com um namorado que me faz mais que feliz e com sua família, que também parece me considerar de alguma forma. Mesmo assim, sinto uma falta imensa dela hoje!

Além da voz da minha mãe e da minha irmã (vovó já se foi), a minha felicidade está na voz do meu namorado, que sei que será sincero e amoroso ao me desejar um feliz aniversário, e isso me traz um sorriso enorme, que eu jamais poderia criar se não fosse de coração. Mas seria tão bom ter tudo isso ao mesmo tempo, né? Então, eu me limito a fazer um desejo (isso é meu direito vitalício): que, se minha mãe ler esta postagem, está proibida de chorar - ela ama fazer isso - ou de se deprimir. Ela precisa ficar feliz por ter uma filha que pelo menos se esforça para mudar e fazê-la feliz, que sempre dá idéias, mesmo que quase todas sejam absurda. E ela precisa ficar feliz por me ver feliz em Sampa. Mesmo, eu adoro aqui e tenho planos para esta cidade... E admito que tenho uma certa sensação de que ela e minha irmã morarão aqui um dia. Ela sabe que tudo que faço hoje é por reconhecimento a ela, mas precisa parar de chorar por isso. Não pode olhar peru de Natal e chorar, oras! *velinhas assopradas*

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Não nasci para Carnaval

Apesar de ter nascido no dia 17 de fevereiro, em 1988 uma quarta-feira de cinzas, não sou nada afeita ao Carnaval. Não acredito em seu propósito, o de permitir a libertinagem para depois fazer que seus "seguidores" se abstenham de carne até a Páscoa, nem acho bonito aquele monte de pessoas com ares de macumbeiros fazendo uma dança macacada trajando peças extravagantes ou quase nulas. Mas parece que não gostar de Carnaval é uma grande heresia.

Originalmente, o Carnaval era o festejo popular que antecedia a Quaresma, estabelecida no século XI pela Igreja Católica. O objetivo da comemoração era o afastamento da carne. É claro, entretanto, que a festa tomou diversos moldes ao longo do tempo e passou a consistir na maculação física (que se justificava pelas máscaras - assim, seria muito mais fácil ter todos os prazeres da carne sem que haja desmoralização da pessoa), perdoada pela abstenção de carne vermelha até a Semana Santa. No Brasil, como tudo, o Carnaval ganhou ares mais depravados: mulheres vestidas com um tapa-sexo e penas, pulando felizes, e carros alegóricos que procuram narrar uma história, sempre ligada à chegada de Cabral à América do Sul ou ao "paraíso da loucura".

Quando o Carnaval chega, o Brasil pára. Notícias sobre o mundo? Mas que mundo? Nem uma manchete sobre a morte de Barack Obama chegaria ao País durante o feriado, tudo isso porque samba-enredo e Sapucaí são mais importantes que qualquer coisa na vida!

Fiz uma burrada: estive há duas horas na casa da avó do meu namorado e lá, todos pararam para assistir ao desfile das escolas de samba. Eu, espontânea demais como sempre, desabafei: "Por mim, o Carnaval acabaria. Não agüento ver essa macacada toda". Toda a família, com exceção do rapaz, adora pular e ver os festejos. É claro, todos lançaram um olhar seco, provavelmente de reprovação. O que tem de tão bonito tudo aquilo? Nunca fui patriota, exatamente porque o povo brasileiro mostra sempre exaltar valores distorcidos em detrimento de uma cultura pura. Foi construído sobre esses alicerces, não se reformará jamais. O Carnaval é o feriado que melhor descreve o Brasil por seu descaso a problemas maiores e sua mensagem de que não existem situações difíceis se você pular com um pandeiro por aí.

Ai, como eu queria ter nascido - sei lá - em dezembro!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Os olhares de Kate Moss...

...São diferentes. Bem diferentes. Se fossem mais discretos, eu inseriria duas fotografias e faria o jogo dos sete erros, mas ela mesma tem esse trabalho por mim e por todos os jornalistas do mundo que querem ouvir dela uma resposta sincera à pergunta: "Você é estrábica?"

É claro que não é uma grande coisa. Afinal, o notório jornalista de moda Glenn O'Brien já conseguiu lembrar Kate Moss de seu estrabismo, suavizando-o com exemplos de personalidades como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, cuja beleza ofusca qualquer defeito que a natureza lhe tenha imposto. A top inglesa não fica atrás: desde 1988, quando foi descoberta, é mencionada como "antimodelo", já que rompeu padrões de beleza consagrados por modelos como Claudia Schiffer e Naomi Campbell, de altura considerável e corpos curvilíneos.

Moss tem a idade com que top models se aposentam, mas mostra o mesmo vigor de seus 14 anos - a despeito, é claro, do distúrbio alimentar que sofreu e de seus constantes problemas com entorpecentes. Estrábica ou não, há muitas moças que desejariam ter o mesmo "charme" de olhar duas câmeras ao mesmo tempo e ganhar dinheiro para isso.

Dos motivos do Grand Cliché

Clichê (francês cliché): 4. Fig. Molde ou vulgaridade que a cada passo se repete com as mesmas palavras. Dada a definição, vou à explicação. Le Grand Cliché tem esse nome porque, é verdade, é um clichê criar um blog. Tantos jovens têm isso, que a graça de escrever alguma coisa na internet se perdeu um pouquinho. Se perdeu mais um pouquinho quando pessoas sem capacidade alguma de interpretação ganharam computadores (maldito programa PC para Todos do Lula) e resolveram navegar por aí dizendo o que bem entendem e distorcendo significados. Isso é uma coisa que esgota minha paciência! Como eu não sou dada a tipinhos assim, considero uma tremenda estupidez criar um blog e (tentar) mantê-lo, sujeitando-me aos comentários estapafúrdios que poderão aparecer qualquer dia desses. Mas considerando minha falta de paciência para escrever diários (e tendinite também, acredite), talvez uma página virtual ainda seja uma saída.

Ok, o objetivo do blog? Eu ainda não sou formada em Direito, então não vou me arriscar a falar sobre assuntos jurídicos. Jus Navigandi está aí para isso! Fiz muito tempo de música e também de dança. Portanto, são esses bons candidatos a temas, mesmo porque eu duvido muito que um Karajan da vida tenha um outro blog pra dizer que eu não entendo lhufas disso (meus professores sempre me elogiaram, tá?). Eu teria sido uma boa musicóloga, mas eu gosto de dinheiro... Tanto, que larguei a idéia. Livros, porque eu os adoro, também são temas. Gastronomia... Bah, eu estou em São Paulo, onde sempre há um Restaurant Week e, quando não há, os restaurantes bons não saem voando por aí: tópico também. E claro, uma opinião sobre temas genéricos aqui, outra ali... E o blog vai se construindo aos pouquinhos, ay?