terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Essa merece ser lembrada

Nunca vou esquecer certo momento, que é um dos mais queridos para mim: eu tinha quatro anos, não entendia nada de dias da semana, horário, meses... Nada. Meu pensamento só se voltava a "o que é isso, por quê e como". Eu sabia que tinha quatro anos porque minha mãe me disse e seria muito bonitinho ser indagada sobre minha idade e responder mostrando os dedos de uma mão.

Uma manhã (estava bem escuro, na verdade), minha mãe abriu a porta do meu quarto com o sorriso lindo que só ela tem e falou: "alguém faz aniversário hoje!" Eu acordei rapidinho - sempre tive o sono leve - e olhei, mas eu só conseguia enxergar o rosto da mamãe com muito esforço, já que a figura dela contrastava com a luz da ante-sala, que separava os cômodos daquela parte da casa. Foi assim que eu vi o sorriso... E um bolo na mão dela, com as velinhas acesas: cinco velinhas. Ela entrou, logo em seguida minha avó. As duas se sentaram na minha cama comigo e me disseram para assoprar as velas. Eu me lembro de ter ficado radiante pela beleza do bolo, pela minha mãe sorrindo, pela minha avó em igual expressão. Eu me senti importante. Afinal, eu completei cinco anos, já era uma mocinha!

A pouco tempo de completar 22 anos, eu não vou ser acordada por ninguém com tamanho sorriso e tamanha satisfação. Nesta idade, eu penso em como fui horrenda na adolescência para minha mãe, sempre rebelde, sempre do contra. Eu era um nojo! Mesmo assim, minha mãe sempre me amou, não importava a forma como eu agia. Eu já a desapontei muitas vezes em pouquíssimo tempo de vida... E é assim: moro em São Paulo agora, com toda a vida pela frente (e ela também, é claro), com um namorado que me faz mais que feliz e com sua família, que também parece me considerar de alguma forma. Mesmo assim, sinto uma falta imensa dela hoje!

Além da voz da minha mãe e da minha irmã (vovó já se foi), a minha felicidade está na voz do meu namorado, que sei que será sincero e amoroso ao me desejar um feliz aniversário, e isso me traz um sorriso enorme, que eu jamais poderia criar se não fosse de coração. Mas seria tão bom ter tudo isso ao mesmo tempo, né? Então, eu me limito a fazer um desejo (isso é meu direito vitalício): que, se minha mãe ler esta postagem, está proibida de chorar - ela ama fazer isso - ou de se deprimir. Ela precisa ficar feliz por ter uma filha que pelo menos se esforça para mudar e fazê-la feliz, que sempre dá idéias, mesmo que quase todas sejam absurda. E ela precisa ficar feliz por me ver feliz em Sampa. Mesmo, eu adoro aqui e tenho planos para esta cidade... E admito que tenho uma certa sensação de que ela e minha irmã morarão aqui um dia. Ela sabe que tudo que faço hoje é por reconhecimento a ela, mas precisa parar de chorar por isso. Não pode olhar peru de Natal e chorar, oras! *velinhas assopradas*

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