Apesar de ter nascido no dia 17 de fevereiro, em 1988 uma quarta-feira de cinzas, não sou nada afeita ao Carnaval. Não acredito em seu propósito, o de permitir a libertinagem para depois fazer que seus "seguidores" se abstenham de carne até a Páscoa, nem acho bonito aquele monte de pessoas com ares de macumbeiros fazendo uma dança macacada trajando peças extravagantes ou quase nulas. Mas parece que não gostar de Carnaval é uma grande heresia.
Originalmente, o Carnaval era o festejo popular que antecedia a Quaresma, estabelecida no século XI pela Igreja Católica. O objetivo da comemoração era o afastamento da carne. É claro, entretanto, que a festa tomou diversos moldes ao longo do tempo e passou a consistir na maculação física (que se justificava pelas máscaras - assim, seria muito mais fácil ter todos os prazeres da carne sem que haja desmoralização da pessoa), perdoada pela abstenção de carne vermelha até a Semana Santa. No Brasil, como tudo, o Carnaval ganhou ares mais depravados: mulheres vestidas com um tapa-sexo e penas, pulando felizes, e carros alegóricos que procuram narrar uma história, sempre ligada à chegada de Cabral à América do Sul ou ao "paraíso da loucura".
Quando o Carnaval chega, o Brasil pára. Notícias sobre o mundo? Mas que mundo? Nem uma manchete sobre a morte de Barack Obama chegaria ao País durante o feriado, tudo isso porque samba-enredo e Sapucaí são mais importantes que qualquer coisa na vida!
Fiz uma burrada: estive há duas horas na casa da avó do meu namorado e lá, todos pararam para assistir ao desfile das escolas de samba. Eu, espontânea demais como sempre, desabafei: "Por mim, o Carnaval acabaria. Não agüento ver essa macacada toda". Toda a família, com exceção do rapaz, adora pular e ver os festejos. É claro, todos lançaram um olhar seco, provavelmente de reprovação. O que tem de tão bonito tudo aquilo? Nunca fui patriota, exatamente porque o povo brasileiro mostra sempre exaltar valores distorcidos em detrimento de uma cultura pura. Foi construído sobre esses alicerces, não se reformará jamais. O Carnaval é o feriado que melhor descreve o Brasil por seu descaso a problemas maiores e sua mensagem de que não existem situações difíceis se você pular com um pandeiro por aí.
Ai, como eu queria ter nascido - sei lá - em dezembro!

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